quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Deficiência começa no ensino básico

Apesar de os gastos por aluno da rede pública terem triplicado em quase uma década e de as crianças terem mais acesso à escola, não há compromisso com a excelência educacional.
O professor Murilo Mangabeira, 27 anos, sabe o valor de uma boa educação. Por isso, é um defensor contumaz de que o ensino deve começar cedo - e, sobretudo, com muita qualidade. Para ele, não basta apenas abrir as portas das escolas à criançada sem o compromisso de se formarem cidadãos que farão a diferença no mercado de trabalho. Isso vale, principalmente, para os centros públicos de ensino, que, infelizmente, andam despejando no mercado pessoas que mal entendem o que leem e são incapazes de resolver questões mínimas de matemática.

Não à toa, Murilo repete: "É uma convenção achar que escola pública tem que se contentar com o básico, com uma estrutura mínima. Não adianta montarem bibliotecas, se não colocam livros suficientes. De nada vale fazer uma quadra de esporte, se não colocam cobertura. O básico não é suficiente". Porém, o que mais assusta o professor, que há três anos leciona sociologia para alunos do ensino médio e fundamental em Samambaia, cidade do Distrito Federal, é o fato de não haver uma preocupação evidente com o aperfeiçoamento dos profissionais da área. "Não basta uma especialização de um ou dois anos. O professor precisa se dedicar a um processo de formação continuada. Senão, corre o risco de se tornar um técnico da educação, com conhecimentos superficiais", explica.

As palavras de Murilo só reforçam a necessidade de uma revolução no ensino básico do País. Embora, nos últimos anos, tenha havido um avanço no acesso de crianças e adolescentes às escolas, muitos ainda não conseguem notas suficientes para ingressar nas universidades. Mesmo quando entram, há um problema maior: conseguir acompanhar o conteúdo dado em sala de aula.

"O índice de jovens que apresentam falhas no aprendizado é muito alto. Apenas 11% dos que concluem o ensino básico conseguem um nível razoável de absorção do conteúdo de ciências exatas, como matemática", diz Mozart Neves Ramos, conselheiro da ONG Todos pela Educação. Essa, por sinal, é uma das razões de o País estar na lanterna do desempenho nessa área: 57° lugar de um ranking com 65 países listados pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês).

A situação é alarmante, reconhece Rodrigo Capelato, diretor executivo do Sindicato das Entidades de Estabelecimentos de Ensino Superior do Estado de São Paulo (Semesp). "Como a maioria dos alunos das faculdades privadas acabam vindo das redes públicas, é difícil haver um nivelamento nas turmas, especialmente na área de exatas. Praticamente 90% das universidades acabam tendo que dar cursos complementares para equiparar os alunos em sala de aula", revela.

Interesses - Tamanho descalabro não é por falta de dinheiro. O volume de recursos destinado à educação básica triplicou entre 2000 e 2009, passando de R$ 808 por ano, por aluno, para R$ 2,9 mil. O problema é que algumas regiões do Brasil ainda sofrem com uma estrutura física inapropriada para as aulas: falta de material didático, salas sem a mínima estrutura, escassez de carteiras e de professores, principalmente daqueles com formação adequada. "A falta de valorização do professor é um dos principais fatores da baixa qualidade do ensino básico, o que faz com que poucas pessoas se interessem em estudar pedagogia", afirma Mozart Ramos. "O salário médio no País de um docente é de R$ 1,8 mil, praticamente um terço da média de um recém-formado em qualquer outra profissão", emenda.

Doutor em educação pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e ex-diretor da Unesco, Jorge Werthein ressalta que, mesmo triplicando em quase uma década, os gastos com a educação básica no País são insuficientes. Nos EUA, o desembolso anual por aluno varia entre US$ 12 mil e US$ 13 mil. "Se o Brasil quiser se manter entre as maiores economias do planeta, precisa acelerar o processo de melhoria da educação. Somente o conhecimento muda a vida das pessoas. Por isso, o acesso a uma escola de qualidade tem de ser uma estratégia de governo. Houve avanços nos últimos anos, mas ainda em ritmo muito lento", assinala.

Na avaliação de Werthein, o engajamento na melhora da educação precisa ir além das ações do governo federal. É preciso que estados e municípios entrem nessa batalha, que durará anos e anos. "Não se trata de uma questão política. Mas de interesse de todo um país. É preciso colocar o desenvolvimento econômico em primeiro. E isso passa por uma educação melhor. "Há um deficit enorme de professores - entre 200 mil e 300 mil profissionais - nas áreas de matemática, ciência e química, porque outros setores da economia pagam melhor", destaca.

Gargalos - O diretor de Estudos e Políticas Sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Jorge Abrahão, explica que as deficiências do ensino básico começam a aparecer logo no início da vida dos alunos. "O primeiro entrave é a falta de acesso à educação infantil, às creches, o que faz as mães perderem um tempo precioso que poderia ser usado para estimular o mais cedo possível a formação da criança. Esse é o pontapé que facilita o ensino básico", diz. O pesquisador lembra que a herança cultural também pesa sobre os alunos de renda mais baixa. "É mais difícil para os pais com poucos anos de estudo ajudarem os filhos no aprendizado e fiscalizarem o rendimento deles na escola", completa.

O conteúdo deficiente oferecido na rede pública, somado a uma cultura de desempenho e avaliação mais frouxa, não poderia ter outro resultado. Ao concluir o ensino fundamental e médio, os alunos da rede pública não estão preparados nem para enfrentar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) - usado como parâmetro para o ingresso em 95 universidades estatais, por intermédio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Em 2012, serão oferecidas 108 mil vagas.

Aulas on-line - Um método incentivado pelo poder público para formar professores mais bem qualificados é o ensino a distância, frequentado por 15% dos universitários matriculados atualmente. Entre 2005 e 2010, o número de profissionais que concluíram os cursos de licenciatura nas tradicionais salas de aula caiu 3,6%, para 161,3 mil, enquanto os formados a distância cresceu 62%, para 72 mil. Se esse ritmo persistir, em 2015, o País terá mais professores graduados por meio da internet do que presencialmente.

Sintomas do atraso - Os especialistas acreditam que a reforma prevista pelo Programa Nacional de Educação (PNE), cujas discussões pouco avançaram na Câmara dos Deputados, deveria avançar por meio de políticas para valorizar o professor e elevar o piso salarial da categoria. Seria uma iniciativa rumo a um quadro semelhante ao que economias desenvolvidas e em desenvolvimento adotam para se destacarem economicamente.
(Correio Braziliense)

Lei de Terras de 1850


A Lei de Terras instaurou uma política agrária excludente que ainda prejudica o país.
Durante o século XIX, a economia mundial passou por uma série de transformações pela qual a economia mundialmente conduzida pelo comércio passou a ceder espaço para o capitalismo industrial. As grandes potências econômicas da época buscavam atingir seus interesses econômicos pressionando as demais nações para que se adequassem aos novos contornos tomados pela economia mundial. Para exemplificar tal situação podemos destacar o interesse inglês em torno do fim do tráfico negreiro.

Com relação ao uso da terra, essas transformações incidiram diretamente nas tradições que antes vinculavam a posse de terras enquanto símbolo de distinção social. O avanço da economia capitalista tinha um caráter cada vez mais mercantil, onde a terra deveria ter um uso integrado à economia, tendo seu potencial produtivo explorado ao máximo. Em conseqüência dessa nova prática econômica, percebemos que diversas nações discutiram juridicamente as funções e os direitos sobre esse bem.


No Brasil, os sesmeiros e posseiros realizavam a apropriação de terras aproveitando de brechas legais que não definiam bem o critério de posse das terras. Depois da independência, alguns projetos de lei tentaram regulamentar essa questão dando critérios mais claros sobre a questão. No entanto, somente em 1850, a chamada Lei 601 ou Lei de Terras, de 1850, apresentou novos critérios com relação aos direitos e deveres dos proprietários de terra.


Essa nova lei surgiu em um “momento oportuno”, quando o tráfico negreiro passou a ser proibido em terras brasileiras. A atividade, que representava uma grande fonte de riqueza, teria de ser substituída por uma economia onde o potencial produtivo agrícola deveria ser mais bem explorado. Ao mesmo tempo, ela também responde ao projeto de incentivo à imigração que deveria ser financiado com a dinamização da economia agrícola e regularizaria o acesso a terra frente aos novos campesinos assalariados.


Dessa maneira, ex-escravos e estrangeiros teriam que enfrentar enormes restrições para possivelmente galgarem a condição de pequeno e médio proprietário. Com essa nova lei, nenhuma nova sesmaria poderia ser concedida a um proprietário de terras ou seria reconhecida a ocupação por meio da ocupação das terras. As chamadas “terras devolutas”, que não tinham dono e não estavam sobre os cuidados do Estado, poderiam ser obtidas somente por meio da compra junto ao governo.


A partir de então, uma série de documentos forjados começaram a aparecer para garantir e ampliar a posse de terras daqueles que há muito já a possuíam. Aquele que se interessasse em, algum dia, desfrutar da condição de fazendeiro deveria dispor de grandes quantias para obter um terreno. Dessa maneira, a Lei de Terras transformou a terra em mercadoria no mesmo tempo em que garantiu a posse da mesma aos antigos latifundiários.
Por Rainer Sousa
Graduado em História

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Curso de atualização para professores de inglês

O Programa de Letras do Instituto de Ciências da Educação (ICED) lançou o edital 1/2012 para inscrição no Curso de Atualização de Competência Comunicativa e Metodológica em Língua Inglesa. O objetivo do curso é contribuir com a atualização de professores de inglês das redes municipal e estadual de ensino de Santarém, nas diversas competências envolvidas no processo de ensino e aprendizagem de inglês. O curso terá carga horária total de 60 horas.
São oferecidas 75 vagas, em 5 níveis. Para o nível Elementar as vagas serão preenchidas de acordo com a ordem de inscrição; para os demais níveis, além da ordem de inscrição, considerar-se-á também o resultado dos testes de nivelamento oral e escrito.
As inscrições ocorrem de 20 a 24 de fevereiro de 2012, das 9 às 11 horas, na sala 324 do Amazônia Boulevard (Av. Mendonça Furtado, 2946, Fátima – Santarém, PA). As inscrições ainda poderão ser feitas no dia 25 de fevereiro, das 13h30 às 14h30, no Auditório Wilson Fonseca, Campus Rondon da UFOPA (Av. Marechal Rondon, s/n, Caranazal).
Os documentos necessários para a inscrição são os seguintes: ficha de inscrição preenchida (disponível com o edital); cópia do comprovante de residência; cópia do CPF e da Carteira de Identidade; cópia do comprovante de escolaridade (certificado, diploma); 1 foto 3x4 recente; declaração de que ensina Inglês em escola pública de Santarém-PA; cópia do Título de Eleitor e comprovante de participação na última votação; cópia do documento de quitação das obrigações militares (para homens).
Os testes de nivelamento estão marcados para o dia 25 de fevereiro de 2012. As aulas irão de 23 de março a 26 de junho de 2012.
Júlio César Pedrosa – Comunicação/UFOPA
30/1/2012

Analfabetismo e voto no Brasil.

Jairo Nicolau é professor do departamento de ciência política da UFRJ. Artigo publicado no Valor Econômico de hoje (1º).

Qual é a escolaridade média dos eleitores brasileiros? Quantos são analfabetos? Quantos terminaram o curso superior? Existem diferenças significativa da escolaridade de homens e mulheres? Estas são perguntas fundamentais para quem trabalha com opinião pública e comportamento político, mas infelizmente, quase impossíveis de serem respondidas com precisão.

A verdade é que não existem estatísticas seguras sobre a escolaridade do eleitorado brasileiro. Os dados publicados pelo TSE, por exemplo, subestimam a escolaridade da população. A razão é simples. Quando tira o título de eleitor pela primeira vez, o jovem com 16, 17 ou 18 anos está, no máximo, cursando os primeiros anos do ensino superior. Esta é a informação que aparece nos dados do TSE. Embora este eleitor possa continuar estudando, ele aparecerá nas estatísticas oficiais como pertencendo a faixa dos eleitores com ensino médio completo ou ensino superior incompleto.

A solução mais óbvia é assumir que a distribuição escolar da população adulta seja a mesma da do eleitorado. Portanto, basta observar como se distribuiu a escolaridade das pessoas com mais de 18 anos na última Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (PNAD), do IBGE, e reproduzir para o eleitorado. Por exemplo, se encontramos 12% de adultos com curso superior, podemos supor que 12% dos eleitores também tenham escolaridade superior.

Mas este procedimento não está correto, por conta de uma especificidade da legislação eleitoral brasileira: o alistamento (e voto) para os analfabetos não é obrigatório. Quantos analfabetos têm o título eleitoral? Não temos como estimar. Se o contingente de analfabetos adultos fosse reduzido, este seria um detalhe. Mas não é. Segundo o Censo de 2010, existem 14,6 milhões (9% dos adultos) de analfabetos no País. Em três estados, a taxa ainda supera os 20%: Paraíba (20%); Piauí (21%) e Alagoas (23%).

Pensamento do Dia

Estava em jogo a opção entre civilização e barbárie e eles preferiram a violência, a exclusão social e o confronto", Paulo Maldos, secretário de Articulação Social do Palácio do Planalto, sobre a ação militar na desocupação da invasão de Pinheirinho, em São Paulo. (O Estado de São Paulo - 1º/02)

Professor deve ser capacitado para a nova maneira de dar aula, análise de Sérgio Amaral

Sérgio Amaral é livre-docente e coordenador do Laboratório de Novas Tecnologias Aplicadas na Educação, na Faculdade de Educação da Unicamp. O texto publicado na Folha de São Paulo de hoje (1º) trata sobre o projeto do MEC de aquisição de tablets para serem usados em sala de aula.


Começamos com a introdução do computador, passamos pela lousa digital, até chegarmos aos tablets. Para os professores, a introdução dos tablets em sala de aula deverá trazer uma grande mudança na maneira de dar aula, de apresentar e de discutir o conteúdo com seus estudantes.

O problema não é com os alunos, mas com os professores. Precisamos capacitar os docentes para a utilização didática dos tablets no desenvolvimento das atividades pedagógicas em sala de aula. O professor necessita de uma mudança na maneira de ensinar, precisa de uma adaptação do material didático. É fundamental desenvolver atividades em sala de aula com conteúdos que efetivamente utilizem os recursos tecnológicos dos tablets.

O tablet é pequeno, apresenta certa dificuldade de realizar anotações e outros problemas se compararmos com o livro didático. Mas apresenta recursos com a convergência multimidiática e a conexão com a internet que facilitam a busca e a integração de conteúdo, contribuindo com o processo de aprendizagem. Para tanto, é necessário que a capacitação dos professores não seja somente instrumental, mas contextualizada na potencialidade e na limitação da tecnologia.

Deve incluir como são as novas formas de interagir, a linguagem e a construção de conteúdo e como incorporá-las nos processos de ensino e de aprendizagem. Só assim, de fato, estará justificado o uso de tablets em sala de aula, como efetivo instrumento do aprender. 

Veja se responde?

Primeiro veja se responde depois vão às mais informações.
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I Colóquio de Professores de Inglês de Santarém

O Grupo de Pesquisa em Ensino e Aprendizagem de Línguas Estrangeiras e Semiótica na Amazônia (GEALES-Amazônia) realizará no próximo dia 25 de fevereiro, a partir da 8 horas, o I Colóquio de Professores de Inglês de Santarém. As atividades ocorrerão no Auditório Wilson Fonseca, no Campus Rondon da UFOPA (Av. Marechal Rondon, s/n – Caranazal). Gratuito, o evento é dirigido aos professores de inglês das redes estadual e municipal de Santarém.
A programação prevê 4 palestras, com os seguintes temas: “Internet na sala de aula como modalizador da motivação no ensino e aprendizado de língua inglesa” (Prof. Dr. Valdenildo dos Santos); “Ainda precisamos aprender inglês?” (Profa. Maria Luiza Fernandes da Silva Pimentel); “Atualização de competência comunicativa e metodológica em inglês” (Prof. Nilton Varela Hitotuzi); “Reconstructing our practice: the importance of research in L2 teaching” (Profa. Katelyn Omans).
O evento encerra-se com testes de nivelamento oral e escrito. Confira a programação completa.
Mais informações junto ao Programa de Letras do ICED/UFOPA: (93) 2101-3649.
Júlio César Pedrosa – Comunicação/UFOPA
31/1/2012